- 1 “Minha vida só me dá desgosto;por isso darei vazão à minha queixae de alma amargurada me expressarei.
- 2 Direi a Deus: Não me condenes;revela-me que acusaçõestens contra mim.
- 3 Tens prazer em oprimir-me,em rejeitar a obra de tuas mãos,enquanto sorrispara o plano dos ímpios?
- 4 Acaso tens olhos de carne?Enxergas como os mortais?
- 5 Teus dias são comoos de qualquer mortal?Os anos de tua vidasão como os do homem?
- 6 Pois investigas a minha iniquidadee vasculhas o meu pecado,
- 7 embora saibas que não sou culpadoe que ninguém podelivrar-me das tuas mãos.
- 8 “Foram as tuas mãosque me formarame me fizeram.Irás agora voltar-te e destruir-me?
- 9 Lembra-te de que me moldastecomo o barro;e agora me farás voltar ao pó?
- 10 Acaso não me despejaste como leitee não me coalhaste como queijo?
- 11 Não me vestiste de pele e carnee não me juntastecom ossos e tendões?
- 12 Deste-me vida e foste bondosopara comigoe na tua providênciacuidaste do meu espírito.
- 13 “Mas algo escondesteem teu coração,e agora sei o que pensavas.
- 14 Se eu pecasse,estarias me observandoe não deixarias sem puniçãoa minha ofensa.
- 15 Se eu fosse culpado, ai de mim!Mesmo sendo inocente,não posso erguer a cabeça,pois estou dominado pela vergonhae mergulhado na minha aflição.
- 16 Se mantenho a cabeça erguida,ficas à minha espreita como um leãoe, de novo, manifestas contra mimo teu poder tremendo.
- 17 Trazes novas testemunhascontra mime contra mim aumentas a tua ira;teus exércitos atacam-meem batalhões sucessivos.
- 18 “Então, por que me fizestesair do ventre?Eu preferia ter morridoantes que alguém pudesse ver-me.
- 19 Se tão somenteeu jamais tivesse existido,ou fosse levado direto do ventrepara a sepultura!
- 20 Já estariam no fimos meus poucos dias?Afasta-te de mim, para que eu tenhaum instante de alegria,
- 21 antes que eu vá para o lugardo qual não há retorno,para a terra de sombrase densas trevas,
- 22 para a terra tenebrosa como a noite,terra de trevas e de caos,onde até mesmo a luz é escuridão”.
Reflexões sobre a existência humana à luz da dor e da aflição
O capítulo traz um diálogo profundo de um homem em sofrimento, questionando a justiça divina e a sua própria condição diante de Deus. As palavras carregam um peso emocional intenso, revelando a angústia e a busca por respostas em meio à adversidade. O texto aborda temas como a fragilidade da vida, a sensação de abandono e a luta contra a vergonha e a aflição.
- O protagonista expressa sua dor e descontentamento com a situação vivida.
- Há questionamentos diretos a respeito da justiça e da bondade de Deus.
- A reflexão sobre a própria existência e o propósito da vida ganham destaque.
- A sensação de desamparo e a busca por sentido permeiam as palavras do autor.
- Apesar do sofrimento evidente, há uma busca por compreensão e por um desfecho que traga alívio e paz interior.